Nem Tudo Precisa Ser Consertado
Às vezes, a gente só precisa de alguém que sente ao nosso lado e que nos escute.
Phellipe Lutterbeck
2 min ler
“Para salvar alguém que está se afogando, você precisa primeiro saber nadar muito bem.”
Quando ouvi isso em um podcast, eu parei - e depois comecei a pensar.
Quantas vezes eu tentei “salvar” alguém de algo que eu nunca vivi?
E talvez, mais importante ainda:
quantas vezes eu tentei salvar alguém de algo que eu já vivi?
Porque, depois que passamos por certas coisas, é fácil acreditar que entendemos.
Reconhecemos os padrões, emoções o peso daquilo.
E, de muitas formas, entendemos mesmo.
Compartilhar experiências importa.
Escutar importa.
E isso pode trazer perspectiva, conforto, até clareza.
Mas existe algo que muitas vezes esquecemos: o bastidor de cada pessoa é diferente.
A parte que a gente não vê.
A parte que a pessoa nem sempre consegue dizer em voz alta.
O peso que ela carrega pode parecer parecido com o nosso mas nunca é exatamente igual.
Eu já ouvi histórias que pareciam muito próximas da minha.
E, ainda assim, a forma como cada pessoa atravessou aquilo era completamente diferente - e isso é algo que eu acho fascinante.
Como podemos enfrentar situações parecidas
e, mesmo assim, responder a elas de formas tão diferentes.
Também é algo que me faz prestar mais atenção na forma como eu falo.
Nas palavras que eu escolho.
Na maneira como eu ofereço apoio.
Porque, mesmo quando a minha intenção é boa, isso não significa que vai chegar da forma certa.
A gente costuma dizer: “Nós somos responsáveis pelo que dizemos, não por como o outro interpreta.”
E eu entendo isso.
Mas também acredito que existe uma responsabilidade silenciosa
na forma como nos fazemos presentes para os outros.
Porque não existe nada pior do que se abrir sobre algo profundamente pessoal e ouvir alguém dizendo o que você deve fazer. Como você deve se sentir.
Ou como você deveria lidar com aquilo.
Às vezes, conselho não é o que precisamos.
Às vezes, é exatamente o contrário.
Às vezes, a gente só precisa de alguém que sente ao nosso lado.
E que escute.
Que esteja presente.
E em outros momentos, sim - a gente quer uma perspectiva, honestidade, orientação...
Mas quando essa necessidade não está clara,
podemos acabar falando línguas diferentes.
Uma pessoa tentando consertar.
A outra só tentando ser ouvida.
E é aí que a frustração começa.
Voltando à ideia do afogamento - muitas vezes achamos que o objetivo é nadar.
Agir.
Resolver.
Salvar.
Mas, às vezes, o que mais importa é saber quando boiar.
Pausar.
Respirar.
Não correr para a ação.
Porque estar presente pode ser mais poderoso do que estar certo.
E quando somos nós que estamos na água,
também temos uma escolha.
Entrar em pânico e lutar contra a correnteza.
Ou parar, olhar ao redor - e decidir o que precisamos naquele momento.
Nadar ou boiar.
A escolha nem sempre é fácil.
Mas ela continua sendo nossa.
- Com amor, Phellipe
Nem Tudo Precisa Ser Consertado
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