Uma Nota Sobre o Amor

Algumas coisas nunca desaparecem, elas apenas esperam para serem entendidas de formas diferentes - quando estamos prontos pra isso.

Phellipe Lutterbeck

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Conexão, cumplicidade,
admiração, respeito,
apoio, confiança...

Essas são as primeiras coisas que vêm à minha mente quando penso em amor.

Não apenas o amor romântico,
mas todos os tipos de amor.

Mas quando falamos de amor romântico, algo muda.

Ele vai mais fundo, queima mais forte, carrega intensidade.

O que eu acho interessante é:
Nas relações não românticas, damos mais tempo às coisas.
Mais espaço.
Permitimos que as pessoas sejam quem são, sem apressar o processo.

Mas no amor romântico, muitas vezes fazemos o contrário.

Queremos certeza, clareza.
Queremos que tudo faça sentido e rápido.
Queremos dar nome ao que está acontecendo.

E várias vezes me pergunto:
O que aconteceria se tratássemos todos os tipos de amor da mesma forma?

Estar com alguém nunca pareceu algo apenas casual para mim.
Sempre foi uma escolha.

Uma escolha de compartilhar a minha vida inteira,
ou apenas uma parte dela.

Meus sonhos, lutas, medos, alegria...

E também é uma escolha que eu já questionei mais de uma vez.

Porque, no começo, sempre parece a escolha certa.
Ou, pelo menos, certa naquele momento.

Mas o tempo revela coisas que não conseguimos ver antes.
E, eventualmente, somos colocados diante de uma pergunta mais silenciosa: isso ainda faz sentido para quem eu sou agora?

Muitas vezes nos apegamos ao que construímos,
ou ao que idealizamos.

E a ideia de começar de novo pode parecer assustadora.
E as vezes, ela realmente é.

Porque começar de novo significa reaprender a si mesmo.

Aprender a ficar sozinho de novo.
A sentar com os próprios pensamentos.
A sentir sem distrações.
E isso não é fácil.

Porque olhar para frente muitas vezes exige olhar para trás.
Para as coisas que evitamos.
Para as coisas que achávamos que já tínhamos curado.

E muitas vezes eu me pergunto:
Realmente curei isso?
Perdoei as pessoas que me machucaram?
Me perdoei por ter machucado outras pessoas?

As memórias nunca vão embora.

Elas apenas ficam quietas, mas presentes.
Como pequenos fantasmas.

E, às vezes, elas me lembram do que um dia eu amei.
Do que um dia eu acreditei.
E talvez… do que eu ainda sinto falta.

Há momentos em que eu me perco no meio de tudo isso.

Mas aprendi a entender que sentir falta de algo não significa querer aquilo de volta.
Significa apenas que aquilo foi importante em algum momento da vida.

Eu revisito emoções que achei que já tinham passado.
E percebo que algumas coisas não desaparecem - elas apenas esperam para serem compreendidas de outra forma, quando estivermos prontos para isso.

Mesmo com tudo isso,
eu ainda acredito no amor.

Talvez não em uma versão “perfeita”, mas em uma versão que pareça verdadeira.

Me importo profundamente.
Amo profundamente.
Eu dou.
Eu apoio.

E, por muito tempo, achei que tudo isso era demais, mas aprendi algo:
as pessoas só conseguem receber aquilo para o qual estão prontas.

Não importa o quanto você dê.

Em alguns momentos o amor parecem vazios de uma forma difícil de explicar - às vezes, não é apenas o momento presente. É o peso de tudo o que veio antes.

Mas, ainda assim, eu escolho a honestidade, eu escolho a intensidade.

Mesmo quando é mais difícil.
Mesmo quando é incerto.

Porque o amor, em todas as suas formas, é uma das experiências mais complexas e bonitas que temos.

A forma como nos mostramos nos relacionamentos
muitas vezes vem de lugares que nem lembramos.

Infância.
Experiências passadas.
Medos não ditos.
Carregamos tudo isso.

E passamos tanto tempo tentando entender: o problema sou eu? o problema é a outra pessoa?

Mas na realidade nossos comportamentos são moldados por tudo o que vivemos, pela forma como aprendemos a lidar com a dor.
E o luto também faz parte disso, o luto do término nesse caso.

Ele nos lembra que algo está terminando.
Que algo importou.
E que algo está mudando.

Mas se paramos pra pensar também existe poder nisso.
Porque podemos reconstruir.

E, às vezes, precisamos deixar algo desmoronar para poder criar espaço para algo novo.

Enquanto não deixarmos tudo ruir, podemos continuar construindo.

De novo.
E de novo.

E, às vezes, tudo o que precisamos é escolher tentar.

- Com amor, Phellipe

Uma Nota Sobre o Amor

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